NOTÍCIAS / #Ficadica: Câncer de boca: fatores de risco e prevenção
  • O câncer da boca (também conhecido como câncer de lábio e cavidade oral) é um tumor maligno que afeta lábios, estruturas da boca, como gengivas, bochechas, céu da boca, língua (principalmente as bordas) e a região embaixo da língua. É mais comum em homens acima dos 40 anos, sendo o quarto tumor mais frequente no sexo masculino na região Sudeste. A maioria dos casos é diagnosticada em estágios avançados.

    A parte posterior da língua, as amígdalas e o palato fibroso fazem parte da região chamada orofaringe e seus tumores têm comportamento diferente do câncer de cavidade oral.

     

    Como dito anteriormente, o câncer de boca acomete mais os homens acima dos 40 anos. Um pequeno grupo de pacientes mais jovens, não tabagistas e não alcóolicos, pode desenvolver a doença. Pesquisas têm buscado respostas para a incidência neste grupo. Porém, ainda não há resposta sobre o assunto. É uma doença que pode ser prevenida de forma simples, desde que seja dada ênfase à promoção à saúde, ao aumento do acesso aos serviços de saúde e ao diagnóstico precoce.

    Abstenção de fumo e bebidas alcoólicas, dieta rica em alimentos saudáveis, boa higiene oral, e outras atitudes como estas, diminuem as chances de desenvolver a maioria das doenças malignas, inclusive os tumores na boca, que são os mais comuns tipos de câncer de cabeça e pescoço no Brasil. A Organização Mundial da Saúde (OMS) estima que a prevenção pode ajudar a reduzir a incidência de câncer em até 25% até 2025.

     

    Falando um pouco sobre os fatores de risco, apontamos aqui os mais importantes para a incidência do câncer de boca:

     

    • Tabagismo:  Quem fuma cigarro ou utiliza outros produtos derivados do tabaco, como cigarro de palha, de Bali, de cravo ou kreteks, fumo de rolo, tabaco mascado, charutos, cachimbos e narguilé, entre outros, tem risco muito maior de desenvolver câncer de boca e de faringe do que não fumantes. Quanto maior o número de cigarros fumados, maior o risco de câncer;  
    • Consumo regular de bebidas alcoólicas;
    • Exposição ao sol sem proteção representa risco importante para o câncer de lábios;
    • Excesso de gordura corporal aumenta o risco de câncer de boca;
    • Trabalhos com intensa exposição a óleo de corte, amianto, poeira de madeira, poeira de couro, poeira de cimento, de cereais, têxtil e couro, amianto, formaldeído, sílica, fuligem de carvão, solventes orgânicos e agrotóxico está associada ao desenvolvimento de câncer de boca;
    • Os trabalhadores da agricultura e criação de animais, indústria têxtil, de couro, metalúrgica, borracha, construção civil, oficina mecânica, fundição, mineração de carvão, assim como profissionais cabeleireiros, carpinteiros, encanadores, instaladores de carpete, moldadores e modeladores de vidro, oleiros, açougueiros, barbeiros, mineiros, canteiros, pintores e mecânicos de automóveis também podem apresentar risco aumentado de desenvolvimento da doença;
    • Infecção pelo vírus HPV está relacionado a alguns casos de câncer de orofaringe.

     

    Os principais sinais que devem ser observados são:

     

    • Lesões (feridas) na cavidade oral ou nos lábios que não cicatrizam por mais de 15 dias, que podem apresentar sangramentos e estejam crescendo;
    • Manchas/placas vermelhas ou esbranquiçadas na língua, gengivas, céu da boca ou bochechas;
    • Nódulos (caroços) no pescoço;
    • Rouquidão persistente;

     

    Nos casos mais avançados observa-se:

     

    • Dificuldade de mastigação e de engolir;
    • Dificuldade na fala;
    • Sensação de que há algo preso na garganta;
    • Dificuldade para movimentar a língua.

     

    É imprescindível estar atento ao surgimento de qualquer sinal de alerta. Diante de alguma lesão que não cicatrize em um prazo máximo de 15 dias deve-se procurar o cirurgião-dentista ou médico. Aproveite as consultas com o dentista para tirar dúvidas e, principalmente, relatar qualquer sinal ou sintoma diferente. Pessoas com maior risco para desenvolver câncer de boca (fumantes e consumidores frequentes de bebidas alcoólicas) devem ter cuidado redobrado e fazer visitas periódicas ao dentista. Uma vez diante de uma lesão suspeita, a biópsia (exame de um fragmento da lesão) deve ser realizada, e o paciente encaminhado a médico especializado.

     

    O diagnóstico do câncer de cavidade oral normalmente pode ser feito com o exame clínico (visual), mas a confirmação depende da biópsia. Esse procedimento, na grande maioria das vezes, pode ser feito de forma ambulatorial, com anestesia local, por um profissional treinado. Alguns exames de imagem, como a tomografia computadorizada, também auxiliam no diagnóstico, e, principalmente, ajudam a avaliar a extensão do tumor. O exame clínico associado à biópsia, com o estudo da lesão por tomografia (nos casos indicados) permitem ao cirurgião definir o tratamento adequado. As lesões muito iniciais podem ser avaliadas sem a necessidade de exame de imagem num primeiro momento. O diagnóstico inicial permite tratamento com melhor resultado funcional, visto que tumores diagnosticados em estágios mais avançados vão implicar em tratamentos mais agressivos com maior chance de sequelas.

    O tratamento na grande maioria das vezes é cirúrgico, tanto para lesões menores, com cirurgias mais simples, como para tumores maiores. O cirurgião de Cabeça e Pescoço é o profissional que vai avaliar o estágio da doença. Essa avaliação, associada a exames complementares determinará o tratamento mais indicado. A radioterapia e a quimioterapia são indicadas quando a cirurgia não é possível ou quando o tratamento cirúrgico traria sequelas funcionais importantes e complicadas para a reabilitação funcional e a qualidade de vida do paciente.

     

    A cirurgia normalmente consiste na retirada da área afetada pelo tumor associada à remoção dos linfonodos do pescoço e algum tipo de reconstrução quando necessário. Nas lesões mais simples, muitas vezes é necessário apenas a retirada da lesão. Nos casos mais complexos, além do tratamento cirúrgico, é necessária realização de radioterapia para complementar o tratamento e obter melhor resultado curativo. Em todas as etapas do tratamento é importante o aspecto interdisciplinar (com a participação de vários profissionais de saúde) visando a prevenir complicações e sequelas.

    É possível prevenir e fazer o diagnóstico precoce de câncer bucal na cadeira do cirurgião-dentista. Esse profissional é capaz de detectar sinais como placas esbranquiçadas, lesões avermelhadas e feridas. Quando essas lesões não cicatrizam em menos de 15 dias, uma investigação mais acurada é necessária.