NOTÍCIAS / Portos brasileiros começam a discutir eletrificação de cais em meio ao avanço global do Shore Power
  • Portos brasileiros começam a discutir eletrificação de cais em meio ao avanço global do Shore Power

    Hamburgo faz. Roterdã faz. No Brasil, a conversa está começando a ganhar corpo. A eletrificação de cais, conhecida no setor como Shore Power, já faz parte dos planos de desenvolvimento de diversos portos ao redor do mundo e vem sendo considerada uma das iniciativas mais relevantes dentro das estratégias de descarbonização do setor marítimo.

     

    A tecnologia permite que navios atracados desliguem seus geradores a bordo e se conectem à rede elétrica em terra, reduzindo emissões atmosféricas, ruídos e consumo de combustível de forma significativa.

     

    Para trazer esse debate ao contexto brasileiro, a igus — líder global em soluções para aplicações em movimento desenvolveu o seminário online gratuito "igus IMSPO – Mobile Shore Power Revolution.

     

    A solução que redefine o Shore Power

     

    No centro da discussão, o iMSPO (igus Mobile Shore Power Outlet), sistema desenvolvido pela igus que resolve um dos maiores gargalos da infraestrutura tradicional: os pontos fixos de conexão não acompanham a dinâmica real dos terminais.

     

    "O Shore Power precisa se adaptar à operação do porto, e não o contrário", afirma Sean McCaskill, Gerente de Shore Power para as Américas da igus, com mais de 25 anos de experiência na empresa e duas décadas dedicadas a soluções para portos e movimentação de contêineres.

     

    O iMSPO é uma unidade móvel e autopropelida que percorre toda a extensão do cais, garantindo conexão à Shore Power para qualquer embarcação, independentemente da posição de atracação. A solução elimina a dependência de berços fixos — uma limitação crítica diante do aumento do tamanho dos navios e das constantes mudanças na logística portuária.

     

    Mais segurança, menos esforço, operação integrada

     

    O sistema foi projetado para transformar uma operação historicamente trabalhosa em parte natural da rotina portuária:

     

    •             Eliminação do manuseio pesado de cabos de shore power, grandes e de alta complexidade operacional;

    •             Redução do tempo de conexão e desconexão para cerca de 10 a 15 minutos, aumentando a produtividade do terminal;

    •             Integração total ao fluxo operacional do porto, sem criar gargalos ou interferir na eficiência das equipes;

    •             Conformidade com normas internacionais, garantindo interoperabilidade e operação padronizada em diferentes países e regiões;

    •             Atendimento a diferentes tipos de embarcações: porta-contêineres, cruzeiros, ro-ro e transportadores de veículos.

     

    "A conexão shore power não deve ser um evento especial. Ela precisa fazer parte da rotina, tão simples quanto amarrar um navio", explica McCaskill. Por isso, cada projeto é analisado individualmente para garantir aderência à realidade de cada cais.

     

    Reconhecido com o prêmio Inovador do Ano da AAPA (American Association of Port Authorities), o iMSPO já contabiliza mais de 50 sistemas em operação, em implantação ou sob contrato em todo o mundo. Instalações em portos de referência como Hamburgo e Roterdã comprovam, na prática, os ganhos operacionais e ambientais da tecnologia.

     

    O Brasil e a janela de oportunidade

     

    Projetos de infraestrutura portuária têm ciclos longos de planejamento e implantação. Quem começa a estudar o tema agora se coloca em posição competitiva para as próximas décadas — um período em que eficiência energética, sustentabilidade e regulação ambiental estarão cada vez mais entrelaçadas.

     

    "Os projetos de infraestrutura portuária possuem ciclos longos de planejamento e implantação. Por isso, entender desde agora as tendências relacionadas à eletrificação pode ser um diferencial importante para os portos que desejam se preparar para os desafios das próximas décadas", afirma Rafael Goes, gerente da linha de e-chain da igus no Brasil.