NOTÍCIAS / ATP defende segurança jurídica e integração logística para ampliar investimentos portuários
  • ATP defende segurança jurídica e integração logística para ampliar investimentos portuários

    Segurança jurídica, previsibilidade regulatória e integração entre portos, rodovias, ferrovias e hidrovias foram apontadas como condições para ampliar os investimentos e a competitividade da logística brasileira durante o XIII Encontro ATP. Promovido pela Associação de Terminais Portuários Privados na terça-feira (27), no Clube Naval, em Brasília, o evento reuniu representantes do poder público, empresas e especialistas para discutir o tema “O Brasil dos próximos 4 anos”.

     

    Na abertura, o diretor-presidente da ATP, Murillo Barbosa, defendeu um planejamento integrado, acompanhado de processos públicos eficientes, para permitir que os investimentos privados avancem e gerem benefícios para a economia. “Essas condições dão confiança a quem investe e permitem que os projetos se convertam em capacidade, empregos e desenvolvimento. A ATP trabalha para contribuir com essa agenda, levando a experiência dos associados ao diálogo com o poder público e a sociedade”, afirmou.

     

    O ministro de Portos e Aeroportos, Tomé Franca, destacou a relação entre estabilidade institucional e desenvolvimento da infraestrutura. “Não existe infra forte sem instituições fortes. O Brasil que queremos construir precisa de todos”, declarou.

     

    Ao abordar o Plano Nacional de Logística (PNL), o ministro ressaltou a necessidade de planejar a infraestrutura como uma rede, considerando a conexão entre os diferentes meios de transporte. “Porto não pode ser pensado sem hidrovia e ferrovia. Precisamos pensar em corredores logísticos e integração entre modais de transporte”, disse.

    Ajuste fiscal e redução do custo de capital

     

    Na palestra magna “Os caminhos econômicos do Brasil”, Ana Paula Vescovi relacionou as perspectivas de investimento à condução da política fiscal. Ex-secretária do Tesouro Nacional, ex-secretária-executiva do Ministério da Fazenda e ex-economista-chefe do Santander Brasil, ela avaliou que o país enfrenta desaceleração econômica, pressões inflacionárias e uma trajetória preocupante da dívida pública.

    Para a economista, um ajuste fiscal crível é necessário para melhorar a confiança dos investidores e reduzir o custo de capital, fator relevante para projetos de infraestrutura, que exigem recursos elevados e planejamento de longo prazo.

     

    Vescovi apresentou quatro prioridades para a agenda econômica até 2030: revisão das despesas obrigatórias; definição de uma carteira prioritária de infraestrutura, com segurança jurídica e regras claras de licenciamento; redução dos custos logísticos; e fortalecimento da avaliação, da continuidade e da governança das políticas de Estado.

    Na avaliação da palestrante, melhorar a logística é uma condição para transformar as vantagens naturais do Brasil em maior valor agregado e competitividade.

    Cenário político e capacidade de negociação

     

    As perspectivas para o próximo ciclo de governo também foram discutidas no painel “O Brasil dos próximos 4 anos”, com Thomas Traumann, consultor de risco político e analista de política e economia, e Creomar de Souza, consultor de risco político e professor da Fundação Dom Cabral. A mediação foi conduzida por Daniel Rittner, diretor de Jornalismo da CNN Brasil em Brasília.

    Traumann avaliou que o cenário exige mudanças na condução da política econômica, com atenção aos efeitos das medidas sobre a atividade e ao risco de recessão.

    Creomar destacou a necessidade de responsabilidade na formulação das medidas e de negociação entre o Executivo e o Congresso Nacional. O analista também apontou a possibilidade de diálogo entre o governo federal e governadores de oposição em torno de temas técnicos, como caminho para construir entendimentos em um ambiente de polarização.

     

    Os debates aproximaram as perspectivas políticas e econômicas das condições necessárias para planejar investimentos e dar continuidade às agendas de infraestrutura.