NOTÍCIAS / Prêmio ATP 2026 reconhece projetos que reduzem custos, emissões e riscos nas operações portuárias
  • Prêmio ATP 2026 reconhece projetos que reduzem custos, emissões e riscos nas operações portuárias

    Uma economia anual superior a R$ 2,43 milhões em lubrificantes, aumento de 10% na capacidade de estocagem sem obras e redução de 17,54% na intensidade de emissões por contêiner movimentado estão entre os resultados dos projetos reconhecidos pelo Prêmio ATP 2026. Promovida pela Associação de Terminais Portuários Privados, a quarta edição premiou iniciativas de oito empresas nas categorias sustentabilidade ambiental, inovação tecnológica e impacto social, em cerimônia realizada nesta terça-feira, 27/10, em Brasília.

     

    O Porto Itapoá conquistou o primeiro lugar em sustentabilidade ambiental portuária, categoria que estreou nesta edição. A Edge venceu em inovação tecnológica portuária. Em impacto social portuário, Portonave e Ternium dividiram a primeira colocação. Ferroport, Dome, Vale e Portocel também foram premiadas.

    Criado em 2023, o Prêmio ATP recebeu 102 inscrições de 24 companhias. “Esse recorde reafirma o compromisso dos portos privados com a sustentabilidade, a inovação, a eficiência operacional e as ações sociais alinhadas às melhores práticas do setor”, afirma Murillo Barbosa, presidente da ATP.

    Sustentabilidade: crescimento operacional com menor intensidade de emissões

    Vencedor da categoria sustentabilidade ambiental, o Porto Itapoá (SC) foi reconhecido pelo projeto “Ações de descarbonização da atividade portuária”. Entre 2021 e 2025, o terminal ampliou sua movimentação em 68,7% e reduziu em 17,54% a intensidade de emissões dos Escopos 1 e 2 por contêiner movimentado, indicador que relaciona as emissões das operações e da energia adquirida ao volume de atividade.

    A estratégia reúne eletrificação da frota, uso de equipamentos híbridos, energia elétrica de fontes renováveis com certificação e soluções de reaproveitamento de resíduos.

     

     

     

    Porto Itapoá foi o vencedor na categoria sustentabilidade ambiental

    A Portonave (SC) ficou em segundo lugar com o projeto “Certificação Lixo Zero com a excelência na gestão de resíduos sólidos”. O terminal alcançou o desvio de 90,6% dos resíduos de aterros sanitários e obteve a certificação em maio de 2026. As ações incluem compostagem de resíduos orgânicos, reciclagem de uniformes e equipamentos de proteção individual, coleta de materiais especiais e educação ambiental.

    O terceiro lugar foi para a Ferroport (RJ), pelo projeto “Da gestão ambiental convencional à gestão integrada dos recursos naturais”. Implantada em 2021, a iniciativa reúne conservação da água, economia circular e descarbonização em uma estratégia integrada de gestão.

    Inovação: novas soluções para abastecimento, segurança e produtividade

     

    A Edge venceu a categoria inovação tecnológica com o projeto “Sistema off-grid de envasamento de GNL em FSRU com transferência via balsa”. A solução permite carregar carretas com gás natural liquefeito (GNL) diretamente de uma unidade flutuante de armazenamento e regaseificação, por meio de uma balsa adaptada.

    O sistema amplia o fornecimento a clientes industriais que não estão conectados à rede de gasodutos, com alcance de até 1.000 quilômetros a partir do Porto de Santos (SP). Desde a primeira operação, em janeiro de 2026, o projeto registrou mais de 50 operações e o carregamento de 391 caminhões, segundo os dados apresentados pela empresa.

    Em segundo lugar em inovação, a Ferroport foi reconhecida pelo “Sistema de ajuste dinâmico do ângulo de giro para empilhadeiras de granéis”. A tecnologia utiliza sensores e controle automático para ajustar o movimento das máquinas durante a formação das pilhas de minério de ferro.

    Segundo a companhia, após oito desmoronamentos registrados em 2023, não houve ocorrências em 2024. A solução também permitiu ampliar em 10% a capacidade de estocagem sem obras.

    Dome e Vale dividiram o terceiro lugar. A Dome (RJ) desenvolveu um novo modelo para retirada de serviço e desmontagem de linhas flexíveis submarinas, com equipamentos que permitem movimentar, cortar e armazenar as estruturas em fluxo contínuo no cais.

    O projeto recuperou 34.297 metros de linhas, com produtividade média de aproximadamente 217 metros por hora, cerca de 25% acima da estimativa inicial.

     

    A Vale foi premiada pelo “Programa de lubrificação e controle de ativos portuários”, voltado à confiabilidade e à disponibilidade de equipamentos. A iniciativa incluiu a revitalização de 34 sistemas de lubrificação e a instalação de 95 kits de proteção contra contaminação. Segundo a companhia, a otimização do consumo de lubrificantes gerou economia anual superior a R$ 2,43 milhões.

    Impacto social: formação profissional e inclusão de migrantes

     

    A categoria impacto social teve dois projetos empatados em primeiro lugar: o “Curso de português para migrantes”, da Portonave, e a Escola Técnica Roberto Rocca, da Ternium.

    Desenvolvido em Navegantes (SC), o curso da Portonave oferece gratuitamente ensino de português em três níveis, além de material didático, certificação e alimentação. A iniciativa já certificou 77 alunos de países como Haiti, Venezuela, Colômbia, Bolívia e Argentina.

    Entre os concluintes do nível avançado, 20% relataram melhora na situação profissional após a participação. O projeto busca ampliar a autonomia dos migrantes e facilitar sua integração à sociedade brasileira.

    Na Zona Oeste do Rio de Janeiro, a Escola Técnica Roberto Rocca, da Ternium, oferece ensino médio integrado aos cursos técnicos em Mecatrônica e Eletromecânica. Resultado de um investimento de R$ 260 milhões, a escola atende 384 estudantes em 2026, com previsão de ampliar esse número para 576 em 2027.

    O terceiro lugar ficou com a Portocel (ES), pelo projeto “Coletivo Ecoagentes em Ação”. Desde 2016, a iniciativa mobiliza moradores, pescadores, jovens e lideranças de Barra do Riacho, Barra do Sahy, Santa Marta e Vila do Riacho na construção de soluções para desafios socioambientais das comunidades.

    Avaliação independente

    Os projetos foram avaliados por uma banca de 13 especialistas da academia, do setor privado e do governo, incluindo profissionais do Ministério de Portos e Aeroportos e da Agência Nacional de Transportes Aquaviários (Antaq).

    A avaliação considerou critérios como originalidade, relevância estratégica, aplicabilidade, viabilidade técnica e financeira e engajamento comunitário. A ATP não participou do julgamento dos trabalhos.

     

    Confira a classificação do Prêmio ATP 2026

    Sustentabilidade ambiental portuária

    •             1º lugar — Porto Itapoá: Ações de descarbonização da atividade portuária.

    •             2º lugar — Portonave: Certificação Lixo Zero com a excelência na gestão de resíduos sólidos.

    •             3º lugar — Ferroport: Da gestão ambiental convencional à gestão integrada dos recursos naturais.

    Inovação tecnológica portuária

    •             1º lugar — Edge: Sistema off-grid de envasamento de GNL em FSRU com transferência via balsa.

    •             2º lugar — Ferroport: Sistema de ajuste dinâmico do ângulo de giro para empilhadeiras de granéis.

    •             3º lugar, empatados — Dome: Novo modelo de descomissionamento de linhas flexíveis submarinas; Vale: Programa de lubrificação e controle de ativos portuários.

    Impacto social portuário

    •             1º lugar, empatados — Portonave: Curso de português para migrantes; Ternium: Escola Técnica Roberto Rocca.

    •             3º lugar — Portocel: Coletivo Ecoagentes em Ação.